LUCILENE ROSENDO

Lucilene Rosendo é a filha caçula em uma família de 29 irmãos. A família de Luci sempre foi ativa na sua comunidade, a paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, bem em frente à casa onde ela morava, em Lagarto/SE.

Aos 19 anos Luci conheceu o Movimento dos Focolares e a proposta de viver o Evangelho de maneira concreta a conquistou. Nessa época ela já tinha seu próprio negócio e namorava; sua vida parecia estar se encaminhando naturalmente, como a de muitos jovens de sua idade. Mas, no íntimo de sua alma sentia que ainda faltava algo.

Vocação

“Ainda que tudo parecesse estar bem na minha vida, sentia uma inquietação interna. Algo me faltava. Concluí que isso tinha a ver com o fato de amar mais minha família, meu noivo e meus projetos do que a Deus. Então, disse a Jesus: Quero fazer a experiência de colocá-Lo em primeiro lugar na minha vida! Peço que me mostre como e onde.

Meu sobrinho, Nelson, estava de passagem por Sergipe, onde eu morava. Ele estava a caminho do Maranhão, onde abriria a segunda Fazenda da Esperança. Antes, porém, pedi que ele contasse sua experiência de amizade com dependentes químicos ao meu grupo de jovens da paróquia. Muitos deles, apesar de irem à Igreja, usavam drogas. Havia até uma jovem que se prostituía para arranjar dinheiro suficiente para sustentar seu vício.

Ao ouvir aquelas experiências, essa mesma jovem perguntou por que só havia uma Fazenda para homens e não havia uma também para mulheres. Nelson disse que já havia uma Fazenda para começar o atendimento com as mulheres, mas, até aquele momento, não tinham encontrado nenhuma corajosa que quisesse ser um instrumento de Deus num trabalho como aquele. Aquilo me paralisou! Senti que era a resposta ao que antes tinha pedido a Deus!

Acontece que quando Deus chama – e Ele chama cada um de uma forma e para uma missão diferente –, não basta ouvir e entender. É preciso dar uma resposta concreta. Cheguei a pensar que Deus estava exagerando, porque teria que deixar muita coisa para trás. O fato é que aquele chamado gritou dentro de mim durante os dias seguintes. Revelei a Nelson o que se passava comigo e ele apenas me ouviu. Depois, antes de partir, me deixou um bilhete que dizia: Vale a pena deixar o ‘amor’ pelo ‘Amor’. Aquilo me atingiu profundamente. Era exatamente o que eu tinha pedido a Deus.

O fato é que quando você deixa tudo por Deus, dói. Porém, Ele não nos deixa na dor. Depois dos três primeiros meses trabalhando na Fazenda da Esperança, em Guaratinguetá/SP, foram tantas experiências extraordinárias e tão belos os frutos colhidos que era difícil voltar atrás.”

Lucilene Rosendo

Perfil

Antes de vir para a Guaratinguetá/SP fazer a experiência de acolhimento de mulheres que queriam mudar de vida, a jovem Luci tinha uma lavanderia em sua cidade natal, Lagarto/SE. O desejo de valorizar as pessoas, independente de quem fosse, a fazia desenvolver seu trabalho com muito capricho. Além disso, ela aprendeu com seu pai que o Evangelho era para ser vivido, não somente lido.

Com o passar do tempo, Luci compreendeu que pequenas atitudes do dia a dia a ajudavam a colocar em prática o que seu pai a ensinava. Certa vez, já em Guaratinguetá, ajudando nos trabalhos sociais da Obra Social Nossa Senhora da Glória, Luci cuidava com carinho de uma senhora que tinha ferimentos nos pés. Ela fazia aquele trabalho como se estivesse cuidando dos pés de Jesus. E a partir daquele gesto nasceram muitas coisas.

Desde a viagem que Luci fez de Lagarto até Guaratinguetá já se passaram mais de 30 anos. Neste tempo, a parte feminina da Fazenda da Esperança – que Luci e Iraci iniciaram num apartamento, em Guaratinguetá –  também se espalhou pelo Brasil e pelo mundo.

Galeria de Imagens

Além da nossa querida Luci

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Iraci

Ver Jesus na pessoa que sofre e ajudá-la como é possível. Assim Iraci Leite compreendeu que poderia viver um caminho de amor ao próximo.

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