“Há um só corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança da vocação à qual fostes chamados.” (Ef 4,4)

Durante a Semana de Oração pela Unidade Cristã1, somos convidados a concentrar nossa atenção em um tema específico: aquele que nos é apresentado na carta de Paulo aos Efésios. Nas assim chamadas Epístolas da Prisão, ele se dirige aos seus destinatários exortando-os a darem um testemunho autêntico a respeito da própria fé, vivendo a unidade.

Essa unidade se baseia numa única fé, num só espírito, numa só esperança, e somente por meio dela se pode testemunhar Cristo como “corpo”.

“Há um só corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança da vocação à qual fostes chamados.”

Paulo nos chama de novo à esperança. O que é a esperança? E por que somos convidados a vivê-la? Ela é o broto de uma semente, um dom e um compromisso que temos o dever de proteger, cultivar e fazer frutificar para o bem de todos.

“A esperança cristã atribui a nós, como nosso lugar, aquele estreito divisor de águas na crista da montanha, aquela fronteira onde nossa vocação exige que escolhamos cada dia e cada hora ser fiéis à fidelidade que Deus tem por nós.”

Madeleine Delbrêl é considerada por muitos uma das personalidades espirituais mais significativas do século XX. Veja o trecho citado acima (tradução livre nossa), em italiano, em: https://www.pasomv.it/files/bocc/madalein_del_brel_noi_spes.pdf.

A nossa vocação, o chamado dos cristãos, não é apenas uma relação entre o indivíduo e Deus, mas é “convocação”, ou seja, somos chamados juntos; é o chamado à unidade entre aqueles que se esforçam para viver o Evangelho. Nos discursos e nos escritos de Chiara Lubich encontramos frequentemente referências explícitas à unidade, um aspecto típico da sua espiritualidade: ela é fruto da presença de Jesus entre nós. E essa presença é fonte de uma profunda felicidade.

“Se a unidade é tão importante assim para o cristão, consequentemente nada é mais contrário à sua vocação do que não ser fiel a ela. E pecamos contra a unidade todas as vezes que caímos na tentação — sempre presente — do individualismo, que nos leva a fazer tudo por conta própria, a nos deixarmos levar por nossas ideias, nossos interesses ou nosso prestígio pessoal, ignorando ou até desprezando os outros, suas exigências, seus direitos.”

LUBICH, Chiara. A aventura da unidade. Palavra de Vida, julho de 1985.

“Há um só corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança da vocação à qual fostes chamados.”

Na Guatemala, o diálogo entre os membros das diferentes Igrejas cristãs é muito ativo. Ramiro nos escreve:
“Juntamente com um grupo de pessoas de várias Igrejas, preparamos a Semana de Oração pela Unidade Cristã. No programa incluímos um festival artístico organizado com os jovens, e diversas celebrações nas diferentes igrejas. A Conferência dos bispos católicos nos pediu que déssemos continuidade a essa experiência, a fim de preparar também um momento de partilha entre um grupo de bispos católicos e outras pessoas de diversas Igrejas, que vinham de todas as Américas para um encontro dedicado a comemorar os 1.700 anos do Concílio de Niceia. Para além dessas atividades, estamos experimentando de modo muito marcante a unidade entre todos nós e sentimos os frutos que ela traz consigo: fraternidade, alegria, paz.”


Organizado por Patrizia Mazzola com a comissão da Palavra de Vida.
Fonte: Movimento dos Focolares

  1. Esta reflexão foi escrita no Hemisfério Norte, onde a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) é celebrada de 18 a 25 de janeiro. No Hemisfério Sul ela se realiza entre o domingo em que se celebra Pentecostes e o domingo da Santíssima Trindade. A referência à esperança e à unidade é sempre atual, em todos os tempos e lugares. As orações da SOUC deste ano foram preparadas por um grupo ecumênico coordenado por cristãos da Igreja Apostólica Armênia. ↩︎