Durante a primeira quinzena de agosto, Frei Hans Stapel e Nelson Giovanelli, fundadores da Fazenda da Esperança, realizaram uma peregrinação missionária pela África do Sul, Seychelles e Madagascar. A viagem teve como objetivo acompanhar as comunidades, fortalecer os missionários, encontrar os bispos e responsáveis locais e contribuir no discernimento dos próximos passos para o crescimento do carisma da Esperança no continente africano.

A primeira etapa aconteceu na África do Sul, com a visita às Fazendas da Esperança de Bethlehem e Rustenburg. Em Bethlehem, Frei Hans e Nelson conheceram mais de perto a realidade da comunidade, acompanhada pelos responsáveis Joshua e Irina, quenianos, e os desafios para a consolidação do acolhimento. Um dos principais pontos continua sendo a obtenção da licença necessária para o pleno funcionamento da Fazenda, processo que já se prolonga há vários anos. Ao mesmo tempo, a estrutura existente apresenta boas possibilidades de crescimento e ampliação futura.

Um momento particularmente importante foi o encontro com o bispo de Bethlehem, Dom Phomane acompanhado por sacerdotes da diocese. Em um diálogo muito fraterno, foram apresentados o caminho da Fazenda, seus desafios e perspectivas, confirmando o desejo de caminhar em profunda comunhão com a Igreja local.

A peregrinação prosseguiu para Rustenburg, onde Frei Hans e Nelson encontraram os missionários, membros da diretoria e o responsável pela comunidade, Bernardo, missionário queniano. Também ali, a questão da regularização e do registro da Fazenda ocupa um lugar central entre os desafios atuais. O encontro com o bispo de Rustenburg foi marcado por uma acolhida paterna e por uma visão positiva sobre o futuro da Fazenda, inclusive com possibilidades de crescimento da estrutura assim que as questões legais forem superadas.

Entre os principais frutos dessa etapa ficaram o fortalecimento dos missionários, a aproximação com as dioceses e a renovação da esperança de que as duas comunidades possam desenvolver plenamente sua missão de acolhimento.

A segunda etapa aconteceu nas Ilhas Seychelles, onde a Fazenda da Esperança São Pedro e São Paulo celebrou seu primeiro aniversário. A visita foi uma oportunidade para agradecer a Deus pelo caminho percorrido e reconhecer a perseverança dos missionários, acolhidos e membros da associação local, com destaque para Joseph Kaye, responsável pela comunidade, que sustentaram a missão durante esse primeiro ano.

Um marco especial da celebração foi a entrega do certificado a Mose, o primeiro acolhido a completar um ano na Fazenda. Seu testemunho de transformação trouxe muita esperança aos demais acolhidos e a todos os presentes. Mose manifestou também o desejo de colocar a experiência de sua nova vida a serviço de outras pessoas que, como ele, buscam um novo começo. Outro momento importante foi a presença e a proximidade do bispo local, Dom Landry, que assumiu recentemente a diocese e manifestou seu desejo de acompanhar e apoiar o desenvolvimento da Fazenda.

Os encontros com a diretoria e com o bispo permitiram também olhar para o futuro. Entre as perspectivas estão a ampliação das possibilidades de sustentabilidade, a busca de uma área maior para atividades agrícolas e o desenvolvimento de iniciativas que possam unir acolhimento, evangelização e geração de recursos para a obra.

Depois de apenas um ano, a experiência nas Seychelles demonstra que o carisma encontrou terreno fértil, tendo agora o desafio de consolidar sua estrutura e preparar-se para crescer.

A terceira etapa levou Frei Hans e Nelson a Madagascar, mais precisamente a Moramanga, onde uma nova Fazenda da Esperança está dando seus primeiros passos. Essa etapa teve também uma alegria muito especial: a presença da família de Frei Hans. Em Madagascar, completou-se o grupo dos quatro irmãos, aos quais se juntou também uma amiga da família. A presença deles, como Padre Paulo, Mechthild, Gerda e a amiga Érika, deu um caráter ainda mais familiar e fraterno aos dias vividos no nascimento dessa nova Fazenda.

Desde a chegada, chamou a atenção a proximidade do bispo local, Dom Rosário, que acompanha pessoalmente o nascimento da obra e demonstra grande entusiasmo pela presença do carisma da Esperança em sua diocese. A primeira casa da Fazenda já está concluída e os preparativos para a construção de uma segunda unidade estão em andamento. Frei Hans e Nelson participaram, junto com o bispo, sacerdotes, missionários e membros da comunidade local, de uma celebração simples e profundamente significativa de bênção e inauguração da Fazenda. A missão está sendo assumida pelos africanos Tony, de Angola, e Servi, de Moçambique, que se colocaram a serviço dessa nova presença e terão um papel fundamental nos primeiros passos da comunidade.

Outro momento marcante aconteceu durante uma celebração de Crisma em uma paróquia da diocese. Diante da comunidade reunida, Frei Hans e Nelson puderam dar seu testemunho e apresentar a missão da Fazenda da Esperança. Naquela ocasião, o bispo anunciou publicamente que a nova Fazenda começaria a acolher jovens e adultos que desejam iniciar um caminho de recuperação. O anúncio já produziu frutos concretos: famílias procuraram a Igreja interessadas no acolhimento de seus familiares, dando início aos primeiros passos para a chegada dos futuros acolhidos.

Os encontros com o bispo, sacerdotes e missionários permitiram ainda aprofundar questões fundamentais para o futuro da comunidade, especialmente a formação e o acompanhamento dos missionários, a consolidação da equipe e a preparação para os primeiros acolhimentos.

Uma obra que se encarna em terras africanas

Por Nelson Giovanelli

“Talvez uma das impressões mais fortes desta peregrinação tenha sido perceber como o carisma da Fazenda da Esperança está se enraizando e se encarnando nas diferentes culturas africanas. Já não se trata somente de uma obra que chegou à África a partir de outros continentes, mas de uma experiência que começa a ser assumida e conduzida pelos próprios africanos.

Isso se tornou visível ao encontrar Joshua e sua esposa Irina ( quenianos)  à frente de Bethlehem; Bernardo, queniano, responsável em Rustenburg; Joseph Kaye ( ugandês)  conduzindo a comunidade nas Seychelles; e Tony, de Angola, e Servi, de Moçambique, assumindo a missão em Moramanga.

São africanos de diferentes países e culturas que acolheram o carisma e agora assumem a responsabilidade de transmiti-lo a outros. Esse talvez seja um dos frutos mais significativos desta peregrinação: perceber que a Fazenda da Esperança está adquirindo um rosto cada vez mais africano. Essa percepção é compartilhada também por João Paulo, responsável regional da Fazenda da Esperança na África, que se juntou a Frei Hans e Nelson em Madagascar e, a partir daqui, seguirá com eles na peregrinação, cuja próxima etapa será Moçambique.

As três etapas revelaram também desafios diferentes. Na África do Sul, é necessário avançar na consolidação jurídica e estrutural; nas Seychelles, fortalecer a sustentabilidade e preparar o crescimento; e, em Madagascar, acompanhar os primeiros passos do acolhimento e a formação da nova comunidade.

Em todas essas realidades, porém, um elemento esteve fortemente presente: a comunhão com os bispos e com as Igrejas locais. Essa proximidade, unida ao protagonismo crescente dos próprios missionários africanos, renova a esperança de que o carisma continue criando raízes profundas no continente e oferecendo a muitos jovens e famílias a possibilidade concreta de recomeçar e descobrir uma vida nova a partir do Evangelho vivido.”