Encantado pelo Carisma da Esperança ainda como seminarista em Dombe, o sacerdote conta como a vivência com os acolhidos e o período de formação no Brasil moldaram seu ministério.

O primeiro contato do Padre Aquino com a Fazenda da Esperança aconteceu em seu país natal, Moçambique, durante um Encontro de Jovens realizado em Dombe. Já seminarista diocesano na época, ele ficou profundamente encantado ao conhecer o trabalho de recuperação e transformação de vidas da comunidade e pediu ao seu bispo para fazer uma experiência de um mês no local. Foi na convivência diária e nas conversas noturnas com os acolhidos que percebeu a necessidade da presença de um sacerdote que os acompanhasse espiritualmente na busca por Deus, despertando em seu coração o desejo de entregar a vida ao carisma.

Essa decisão o levou ao Brasil no início de 2020, em meio aos desafios da pandemia, onde permaneceu até depois de sua ordenação diaconal, retomando os estudos de Teologia em 2022 junto à abertura da casa de formação. Para o sacerdote, a vivência comunitária em terras brasileiras uniu o preparo acadêmico ao amadurecimento humano, espiritual e pastoral. “Sem dúvida, esse período no Brasil moldou profundamente o tipo de sacerdote que sou hoje e ajudou-me a compreender que o sacerdócio é, antes de tudo, uma vida entregue a Deus e ao serviço dos irmãos”, destaca.

Hoje, de volta a Moçambique como padre, ele realiza o desejo de colocar tudo o que aprendeu a serviço de seu povo. Embora reconheça que os desafios e as condições na África sejam muitas vezes difíceis, Padre Aquino afirma que a alegria estampada no rosto de cada pessoa o toca profundamente. “Voltar à África como sacerdote e poder servir diretamente nas Fazendas da Esperança é, para mim, uma graça. É como retornar às raízes e, ao mesmo tempo, perceber que toda a caminhada que fiz tinha um propósito: voltar para servir, anunciar a esperança e ajudar outras pessoas a descobrir que uma vida nova é possível”, testemunha.

A partir de sua própria trajetória, o missionário deixa um apelo especial aos jovens e voluntários da Obra, encorajando-os a vencerem as dúvidas e a descobrirem a própria vocação no encontro com quem sofre: “A minha mensagem para os jovens é muito simples: não tenhais medo! Não tenhais medo de abrir o coração a Deus e de perguntar a Ele qual é o caminho que preparou para a vossa vida. Ele é a fonte de água viva, aquele que dá sentido à nossa vida e que nos chama a sermos instrumentos de esperança para os outros. Quando Deus chama, vale a pena dizer ‘sim’.”