Portugal e Cabo Verde — 9 a 23 de setembro de 2026
A quarta etapa de nossa peregrinação pelo continente africano teve uma característica particular. Entre as intensas experiências vividas na África e a continuação da missão em Cabo Verde, tivemos, de 9 a 15 de setembro, uma pausa providencial em Portugal. Foram dias de descanso, oração, convivência e acompanhamento da Fazenda da Esperança naquele país. Em seguida, de 15 a 23 de setembro, estivemos em Cabo Verde, onde pudemos contemplar de maneira muito concreta os frutos que a Fazenda produziu ao longo de nove anos, especialmente através dos ex-acolhidos e dos Grupos Esperança Viva.
Portugal — uma pausa de oração e comunhão
Nossa passagem por Portugal começou com a acolhida da comunidade da Semente do Verbo, no Convento do Calvário, em Évora. Caetano nos acompanhou desde Lisboa e ali encontramos uma comunidade profundamente marcada pela oração e pela adoração perpétua.
Depois de tantas viagens, encontros e atividades missionárias, esses dias representaram um verdadeiro refrigério. Tivemos a possibilidade de participar da vida da comunidade e experimentar novamente a força de colocar Jesus no centro. A presença constante da Eucaristia e o clima de oração ajudaram-nos também a reler interiormente tudo aquilo que vínhamos vivendo ao longo da peregrinação.
Foi particularmente importante o reencontro com Padre Silvestre. Apesar de sua fragilidade física, encontramos nele grande lucidez e profundidade espiritual. Houve oportunidade para conversa pessoal, direção espiritual e confissão. Sua presença, juntamente com a acolhida dormiu a irmãos e de toda a comunidade, fez desses dias não simplesmente uma parada logística, mas um verdadeiro tempo de renovação interior.
A Fazenda da Esperança em Maçal do Chão
Outro momento importante da passagem por Portugal foi a visita à Fazenda da Esperança de Maçal do Chão.
Encontramos uma realidade que, depois de um período de dificuldades para alcançar estabilidade, apresenta agora sinais concretos de consolidação. A casa estava praticamente cheia, com cerca de oito acolhidos, e percebemos sobretudo a fidelidade e a perseverança de Tiago, que há anos vem se doando para que essa presença da Fazenda em Portugal possa continuar.
Ao seu lado encontramos Rubens, filho e fruto da própria Fazenda, e Emanuel, voluntário argentino que já estava há cerca de quatro meses na comunidade. Essa pequena equipe transmite a impressão de estar assumindo verdadeiramente a Fazenda, não apenas administrativamente, mas procurando construir uma vida de família com os acolhidos.
Durante esses dias pudemos acompanhar momentos significativos da vida comunitária, inclusive a entrega de certificados a Jaime e Fernando, com seus testemunhos de caminhada. Também tivemos contato com pessoas próximas à Fazenda, entre elas o casal Aldo e Isabel, de Viseu.
O encontro com Dom José Miguel, bispo da Guarda, foi igualmente importante. Entre os aspectos abordados, ele ressaltou a necessidade de a Fazenda portuguesa caminhar progressivamente para uma maior autossuficiência econômica. Foi uma indicação concreta para o futuro e para a consolidação dessa presença.
Antes de deixarmos Portugal, tivemos ainda a graça de passar por Fátima, confiando a Nossa Senhora os frutos da peregrinação, os passos que ainda nos aguardavam e as graças que precisamos para a Assembleia da Família que se aproxima .
Cabo Verde — uma Fazenda que produziu muitos frutos
No dia 15 de setembro seguimos para Praia, em Cabo Verde, iniciando uma etapa particularmente intensa da peregrinação.
Logo na chegada tivemos contato tanto com a Fazenda masculina quanto com a feminina. A visita às meninas permitiu conhecer mais de perto sua realidade e, posteriormente, dedicar a elas uma manhã inteira de espiritualidade e formação.
Nesse encontro com a comunidade feminina pudemos apresentar novamente o tripé que caracteriza a experiência da Fazenda: espiritualidade, trabalho e convivência. Foi particularmente significativo escutar algumas das primeiras acolhidas e perceber nelas determinação e desejo de continuar vivendo o carisma depois de deixarem a comunidade. O vínculo criado com aquelas que as acompanham, especialmente Luzia e Humberta, mostrou a importância da relação pessoal na recuperação e na continuidade da caminhada.
O encontro com a Igreja de Cabo Verde
Um dos momentos importantes dessa passagem foi o encontro com Dom Teodoro, novo bispo de Praia, que já conhecíamos anteriormente. Frei Hans pôde compartilhar com ele o sonho de um Santuário da Esperança, unido também à possibilidade de uma casa de retiros. Dom Teodoro acolheu a proposta com interesse e entrou, de certa maneira, nesse sonho conosco.
Muito marcante foi também o reencontro com o Cardeal Dom Arlindo, bispo emérito de Praia, que teve um papel fundamental na chegada da Fazenda da Esperança a Cabo Verde.
Sua acolhida foi extremamente calorosa e suas palavras nos impressionaram profundamente. Ele manifestou de maneira muito clara sua gratidão pela presença da Fazenda, chegando a descrevê-la como uma grande bênção e um dos grandes sinais — talvez mesmo o maior sinal — de seu episcopado para a Igreja e para a sociedade cabo-verdiana.
Essas palavras ganham ainda mais força quando se observa concretamente a quantidade de vidas que passaram pela Fazenda. Ao longo desses nove anos, mais de 500 jovens fizeram ali sua experiência, deixando uma presença muito significativa de homens e mulheres recuperados e reinseridos em suas famílias e na sociedade. Importante reconhecer em tudo isso o grande e decisivo papel de doação do nosso querido Padre Ronaldo que em sua fidelidade nestes nove anos de missão nestas terras cabo-verdianas determinaram fortemente tudo aquilo que vimos e ouvimos .
Os Embaixadores da Esperança
Talvez o sinal mais forte de toda a passagem por Cabo Verde tenha sido justamente o encontro com os ex-acolhidos.
Em Cabo Verde eles são chamados, de maneira muito significativa, de “Embaixadores da Esperança”. Encontramos uma quantidade impressionante de pessoas que fizeram seu caminho na Fazenda e que hoje procuram transmitir a outros aquilo que receberam.
Isso ficou particularmente evidente durante o retiro realizado com os Grupos Esperança Viva (GEV). Mais de cinquenta membros participaram, muitos deles ex-acolhidos. A presença de tantos frutos vivos da Fazenda transformou o encontro numa experiência muito familiar.
O retiro foi construído também a partir da espiritualidade e da história da Fazenda. Entre os temas trabalhados estiveram Jesus Abandonado, apresentado por Frei Hans; a missão; e a Família da Esperança, aprofundando a identidade de filho e filha da Esperança à luz dos novos Estatutos.
A meditação proposta pelo Padre Ronaldo sobre “Semear a Esperança” ajudou a criar o clima espiritual para esses momentos. As comunhões de vida mostraram que não se tratava simplesmente de recordar o passado, mas de perceber como a experiência vivida dentro da Fazenda continua dando frutos na vida cotidiana.
Adoração e continuidade da missão
Outro ponto muito forte foi a experiência da adoração eucarística. Durante toda nossa permanência procuramos conservar diariamente esse encontro com Jesus na Eucaristia.
No último dia do retiro apresentamos de maneira específica a proposta da adoração diária, partindo também das inspirações recebidas através do livro In Sino Jesus e dos episódios da história da Fazenda profundamente ligados à Eucaristia.
Assomada — os frutos espalhados pela ilha
Nos últimos dias realizamos ainda uma visita a Assomada, no interior da ilha de Santiago. Além da beleza de encontrar um Cabo Verde diferente, montanhoso e muito verde, encontramos ali outra expressão dos frutos da Fazenda.
Na Paróquia Nossa Senhora de Fátima fomos recebidos por crianças, membros dos Grupos Esperança Viva e vários ex-acolhidos. Cantamos juntos, ouvimos testemunhos e pudemos conhecer histórias de pessoas que reconstruíram suas vidas depois da experiência da Fazenda.
Chamou particularmente nossa atenção perceber que alguns conseguiram fazer seu caminho de recuperação através da participação nos próprios Grupos Esperança Viva, mostrando que o carisma já ultrapassa os limites físicos da comunidade terapêutica.
Também os sacerdotes locais manifestaram reconhecimento pelo trabalho realizado pela Fazenda e pelo GEV. Foi possível perceber que a experiência iniciada na Fazenda masculina da Praia se espalhou e criou uma verdadeira rede de pessoas comprometidas em transmitir esperança.
Uma etapa marcada pelos frutos
Assim, entre Portugal e Cabo Verde, esta quarta etapa confirmou novamente o sentido mais profundo de toda a peregrinação: visitar as comunidades, fortalecer aqueles que assumem a missão, reencontrar os frutos que nasceram ao longo dos anos e renovar em todos a consciência de que aquilo que recebemos gratuitamente precisa continuar sendo transmitido.
A experiência de Cabo Verde deixou uma imagem particularmente forte: uma Fazenda que já não cabe somente dentro de seus muros, porque continua viva nos inúmeros Embaixadores da Esperança espalhados pelas famílias, pelas paróquias, pelos Grupos Esperança Viva e pela sociedade.
Faça parte da Família dos Embaixadores da Esperança. Contribua e ajude a salvar vidas: portalfazenda.org.br/seja-embaixador/
